Review de ”The Miseducation of Cameron Post”, por The Hollywood Reporter


Já temos a primeira review sobre o filme “The Miseducation of Cameron Post”. Confira a seguir o artigo publicado pelo The Hollywood Reporter, traduzido pela nossa equipe:

Chloe Grace Moretz estrela nesta comédia dramática como uma adolescente enviada para um campo de conversão cristão para curá-la de suas tendências lésbicas no último filme da diretora Desiree Akhavan.

The Miseducation de Cameron Post é facilmente o melhor filme sobre uma lésbica adolescente compelida a ir a um campo de conversão cristão desde o subestimado, But I’m a Cheerleader (1999). Ok, é certo que é um campo de competição muito pequeno. No entanto, isso não altera o fato de que esta obra de Desiree Akhavan (Appropriate Behavior) é um deleite, mais sombrio em tom do que Cheerleader, mas ainda generosamente salpicada de humor mordaz e aquecida por um espírito generoso que se estende a compreensão, se não perdão, mesmo para os personagens fanáticos religiosos.

Co-escrita por Akhavan e sua parceira de roteiro em Behavior, Cecilia Frugiuele, baseada em uma novela de Emily M. Danforth, esta história dos anos 1990 segue a atleta de pista do ensino médio Cameron (Chloe Grace Moretz) para uma escola evangélica dedicada a “curar” ela da atração ao mesmo sexo. A fama de Moretz deve garantir pelo menos uma distribuição de nicho além do circuito do festival, e com o tipo certo de empurrão, isso poderia encontrar facilmente um público mais amplo além dos óbvios grupos LGBT e adolescente.

Ao se distribuir para a adaptação, apenas a parte posterior da história de Danforth, de quase uma abrangente década, o roteiro começa em 1993 com a heroína titular, uma órfã desde que seus pais morreram em um acidente de carro anos antes, já desfrutando de um relacionamento sexual secreto com a sua melhor amiga – Coley (Quinn Shephard). As duas frequentam regularmente a escola dominical juntas. Quando estão sozinhas, elas gostam de assistir filmes como o romance de lésbicas Desert Hearts em VHS e fazer amor com o tipo de fome apenas possível para jovens que experimentam o primeiro amor.

Infelizmente, quando elas são pegas em um momento com as calcinhas em torno de seus joelhos em um carro durante o baile da escola, a tia de Cameron e guardiã legal, Ruth (Kerry Butler), entrega Cameron a um internato privado em um lugar rural no meio do nada, especializado em terapia de conversão anti-gay, chamado Promessa de Deus. A instituição é dirigida pela sinistra Dra. Lydia Marsh (Jennifer Ehle), uma “vilã da Disney”, como um dos alunos a descreve. Ela usa seu treinamento em psicologia e terapia com um grande traço de dogma cristão para desgastar a resistência dos residentes e convencê-los de que sua atração pelo mesmo sexo é o resultado de trauma, pais pobres ou quem quer que eles possam achar culpados. O cúmplice de Lydia é o seu irmão Reverendo Rick (John Gallagher Jr.), que já foi “perdido” para o mundo dos bares gay, mas agora é encontrado e propenso a compartilhar esse fato e seu amor a Deus através da música e da guitarra com a menor das provocações.

Tímida e não certa se deve expressar resistência ou ceder à lavagem cerebral, Cameron examina o amplo espectro dos adolescentes na escola para ver onde ela se enquadra, um padrão de trama clássica de ensino médio dada uma reviravolta queer aqui. Algumas das crianças, como a nova companheira de quarto de Cameron, Erin (Emily Skeggs) estão desesperadas para obter o programa e se redefinirem como héteros. Outras, como a garota nascida em uma cominidade hippie, Jane Fonda (Sasha Lane, provando que sua estreia em American Honey não era um acaso) e Adam (Forrest Goodluck, The Revenant), um garoto nativo americano epiceno, sabe que a pedagogia de Lydia e Rick é insensata e emocionalmente abusiva, mas não têm escolha senão uma falsa conformidade. Eventualmente, Cameron se apaixona por seu micro-clique, encontrando neles uma rede de apoio secreto para ajudá-la a sobreviver.

O filme não negligencia ao mostrar que nem todas as crianças são tão sortudas. Em uma cena desenfreada, um menino chamado Mark (Owen Campbell, dando uma performance abrasadora), até agora um dos casos de “sucesso” da escola e um modelo de heterossexualidade falsa, tem um colapso em uma terapia de grupo que leva a um cenário ainda pior dos eventos.

Akhavan extrai performances finamente em camadas de seu elenco. Moretz escava mais profundo do que tem feito em anos para uma curva de liderança sensível que harmoniza especialmente bem com seus co-stars. Elogios particulares são devidos à Gallagher e Campbell, que projetam tocantemente pessoas desesperadas para vestir uma pele de “normalidade” que é tão friável quanto um tecido úmido. Ainda assim, as dores são tomadas para mostrar como os personagens jovens são parecidos com os adolescentes em todos os lugares, ansiosos para irem ao baile, mesmo que seja para um combo de batidas de rock cristão ou para dublar com um bobos abandonados para ‘What’s Up?’, do 4 Non Blondes. O uso da música é adepto e não menos importante, graças à distintiva e às vezes estranha trilha sonora original de Julian Wass.

Local: Sundance Film Festival (Competição de Drama Americano)
Produção: A Beachside presentation of a Parkville Pictures, Beachside production
Elenco: Chloe Grace Moretz, John Gallagher Jr., Sasha Lane, Forrest Goodluck, Marin Ireland, Owen Campbell, Kerry Butler, Quinn Shephard, Emily Skeggs, Melanie Ehrlich, Isaac Jin Solstein, Dalton Harrod, Jennifer Ehle
Direção: Desiree Akhavan
Roteiro: Desiree Akhavan, Cecilia Frugiuele, baseado no livro de Emily M. Danforth
Produtores: Cecilia Frugiuele, Jonathan Montepare, Michael B. Clark, Alex Turtletaub
Produtores executivos: Desiree Akhavan, Olivier Kaempfer
Direção de fotografia: Ashley Connor
Designer de produção: Markus Kirshner
Designer de figurino: Stacey Berman
Editor: Sara Shaw
Música: Julian Wass
Supervisores de trilha sonora: Maggie Phillips, Christine Greene Roe
Escalação de elenco: Jessica Daniels
Vendas: Elle Driver

90 minutos

Fonte | Tradução: Bruna Rafaela – CMBR